Gorduras...


 ...vilãs ou saudáveis?


As gorduras alimentares são nutrientes indispensáveis diariamente na alimentação, por isso, eliminá-las é um erro grave. A sua falta vai comprometer o funcionamento normal e saudável do nosso organismo. Este fica mais susceptível, por exemplo a infecções. 

Ultimamente os investigadores têm vindo a reforçar a importância da escolha com critério das gorduras alimentares. O tipo de gordura, que escolhemos vai ter impacto na nossa saúde, não só a curto prazo, como também a longo prazo. Sem dúvida, que este ponto deverá passar a ser um objectivo a ter em conta, na nossa alimentação; escolher as gorduras mais saudáveis, e que nos ofereçam mais benefícios para nossa saúde.


A Organização Mundial de Saúde recomenda que as gorduras sejam responsáveis por cerca de 30% das nossas necessidades calóricas diárias e deve-se privilegiar as gorduras de origem vegetal ricas em gordura monoinsaturada e polinsaturada, em detrimento das gorduras de origem animal ricas em gorduras saturadas. As recomendações da Roda dos Alimentos apontam também nesse sentido, ou seja, uma redução do consumo de gordura saturada. Apesar destas orientações preconizadas pela comunidade científica, de facto, os dados em Portugal apontam noutro sentido.

A Balança Alimentar Portuguesa (1990-2003), divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revela que os portugueses aumentaram o consumo gorduras, especialmente as saturadas. Sabemos que o consumo deste tipo de gordura potência o aumento dos níveis de colesterol e de outros factores de risco ligados às doenças cardiovasculares. Parece que alguns tipos de cancro, nomeadamente o cancro da mama, pode ter uma correlação positiva com a ingestão de gordura saturada. Por outro lado, sabemos que as gorduras monoinsaturadas e as polinsaturadas, desde que consumidas com moderação, são benéficas ao nosso organismo e podem até ajudar a reduzir factores de risco envolvido na génese das doenças cardiovasculares. Têm um efeito estimulante das nossas defesas naturais, que actualmente, devido ao ritmo de vida e ao stress, muitas das vezes as nossas defesas naturais estão comprometidas. Destacam-se assim, as monoinsaturadas, como e o caso do azeite e polinsaturadas, como é o caso, dos óleos vegetais e dos cremes vegetais para barrar. As gorduras polinsaturadas, fornecem ácidos gordos essenciais. Estes são considerados essenciais, porque o nosso organismo não os consegue sintetizar a partir de outras substâncias, por isso têm que ser fornecidos através da alimentação. Estes ácidos gordos são o ácido linoleico e o ácido linolénico mais conhecidos por, Ómega-6 e Ómega-3. Os óleos vegetais os frutos oleaginosos, cereais integrais são por excelência, os grandes fornecedores dos Ómega-6. Os Ómega-3 também se encontram nos óleos vegetais, e em grandes quantidades nos óleos de peixe.


Vários estudos têm demonstrado os seus efeitos benéficos para a saúde, especialmente para a saúde cardiovascular, porque têm efeitos cardioprotectores comprovados cientificamente e mais recentemente recomenda-se os ómegas 3 de origem marinha às crianças. Os ómegas 3 de origem marinha, fazem parte da estrutura do cérebro e o seu consumo diário é essencial, para assegurar a constante reparação deste órgão e também, pode influenciar positivamente o  desenvolvimento cognitivo das crianças.
Não podemos esquecer, ainda que as gorduras são o único veículo de transporte das vitaminas A, D, E e K. 

Leia com atenção os rótulos dos alimentos, e privilegie as gorduras monoinsaturadas e polinsaturadas. Esteja também atento e verifique se o alimento contém gorduras hidrogenadas. Estas têm no nosso organismo um efeito semelhante ao da gordura saturada.

Helena Cid – Nutricionista