Patologias do Pé


VII Jornadas Ibéricas de Podologia,
organizadas pela CESPU, em Guimarães,
nos dias 25 e 26 de novembro.

Patologias do pé é o mote para debate ibérico em Guimarães

Estudos mostram que tratamento das calosidades melhora qualidade de vida dos idosos, que pés das mulheres grávidas sofrem alterações morfológicas e que o pé egípcio é o mais frequente em 191 doentes psiquiátricos espanhóis

 

Os pés de uma mulher sofrem alterações morfológicas ao longo do período de gravidez. E quase 80 por cento de uma amostra constituída por 73 grávidas, com idades entre os 20 e os 40 anos, apresentam calosidades durante a gestação. Já 35 por cento são afetadas por edemas, vulgarmente conhecidos por inchaços, provocados pela acumulação de líquidos na gravidez. As conclusões fazem parte de um dos 20 estudos que vão ser apresentados, dias 25 e 26 de novembro (sexta-feira e sábado), em Guimarães, no âmbito das VII Jornadas Ibéricas de Podologia, organizadas pela CESPU – Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário, pioneira na abertura de um curso de Podologia em Portugal e única instituição de ensino que leciona um curso relacionado com o estudo das patologias do pé e do tornozelo.

 

Um outro estudo também mostra que a qualidade de vida de 44 idosos com mais de 65 anos aumenta se tiverem o cuidado de tratar convenientemente as queratopatias, provocadas por microtraumatismos, pela falta de tecido adiposo ou por circunstâncias resultantes de um processo de sobrecarga ao longo da vida, como o excesso de pressão no pé.

 

O trabalho que vai ser levado às Jornadas Ibéricas de Podologia demonstrou que, antes do desbridamento das calosidades, ou seja, da remoção do material estranho ou tecido desvitalizado, os idosos que residiam ou frequentavam os lares das Santas Casas da Misericórdia de Paredes, de Valongo e de Paços de Ferreira, da Associação de Desenvolvimento Integral de Lordelo e do Centro Social e Paroquial de Sobrado e da Gandra e ainda utentes da Consulta de Pé Diabético no Hospital de Valongo tinham uma maior incapacidade física e motora e sentiam mais dor. Depois do tratamento das queratopatias, os valores dos dois indicadores – incapacidade e intensidade da dor – foram substancialmente inferiores.

 

Já de Espanha chega um estudo que teve como objetivo classificar o tipo de pé segundo a morfologia em pacientes com patologia psiquiátrica. A conclusão indica que a forma de pé mais frequente nos 191 pacientes do Complexo Sanitário Provincial de Plasencia, em Cáceres, é o pé egípcio, seguido do pé quadrado e, por fim, do pé grego. Os resultados obtidos pelo trabalho facilitam o desenvolvimento de próteses adaptadas aos cuidados podológicos dos doentes psiquiátricos.

 

Estes são três exemplos de um conjunto de 20 estudos que, entre sexta-feira e sábado, vão ser apresentados por profissionais portugueses e espanhóis nas Jornadas de Podologia realizadas em Guimarães, com o intuito de debater o que se faz em contexto académico e clínico na Península Ibérica nas áreas da Podologia e da Podiatria.

 

"O mote é, de fato, dar visibilidade a estudos desenvolvidos em escolas de referência em Portugal e Espanha, razão pela qual têm participado nas Jornadas de Podologia profissionais de universidades de Valência, Extremadura, Madrid e Sevilha", afirma Miguel Oliveira, coordenador do curso de Podologia da Escola Superior de Saúde de Vale do Sousa, à espera de uma presença em Guimarães de mais de 150 profissionais ligados à Podologia e à Podiatria.

 

A sétima edição das Jornadas Ibéricas de Podologia, intituladas No Caminho da Investigação e organizadas pelo departamento de Podologia do Instituto Politécnico de Saúde do Norte, do grupo CESPU, começa dia 25 de novembro e termina dia 26, no Hotel de Guimarães.