Fibrilhação Auricular



UMA EM CADA QUATRO PESSOAS DESENVOLVE
FIBRILHAÇÃO AURICULAR

Os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) relacionados com a Fibrilhação Auricular são mais incapacitantes e representam um custo significativo para os sistemas de saúde de toda a Europa, alerta especialista no âmbito do Dia Mundial do Ritmo Cardíaco.

A Fibrilhação Auricular, arritmia mais comum do ritmo cardíaco, é responsável pelo aumento em 5 vezes do risco de Acidente Vascular Cerebral. Caracteriza-se por batimentos irregulares do coração, impedindo que o sangue seja bombeado correctamente, o que origina a formação de coágulos.

“O risco de AVC aumenta cerca de cinco vezes, enquanto o risco de morte duplica. Assim, é importante que a fibrilhação auricular seja reconhecida como um problema de saúde pública. Estima-se que uma em cada quatro pessoas desenvolverá Fibrilhação Auricular ao longo da sua vida” alerta Jorge Ferreira, Médico Cardiologista do Hospital de Santa Cruz.

O AVC é a primeira causa de morte e de incapacidade em Portugal. Cerca de 20% de todos os acidentes vasculares cerebrais são devidos à fibrilhação auricular. Além disso, os AVC’s associados a esta patologia têm uma maior mortalidade, que é de cerca de 25% ao fim de um mês e são mais incapacitantes.

“As opções terapêuticas que o médico tem ao dispor perante um doente com um AVC são muito limitadas, pelo que a prioridade passa pela prevenção. Controlar os factores de risco de AVC é, assim, um passo fundamental no “combate ao AVC”, afirma o especialista.

“Considerando que os AVCs relacionados com a Fibrilhação Auricular tendem a ser mais graves, tal resulta em custos médicos directos superiores aos dos AVCs não relacionados com a Fibrilhação Auricular, sendo que estamos a falar de uma diferença de mais quase três mil euros por doente (€11.799 vs €8.817)”, explica o Médico.

A incidência e a prevalência da Fibrilhação Auricular têm vindo a aumentar. Em Portugal, estima-se que existam mais de 120.000 pessoas com Fibrilhação Auricular. Esta é a patologia do ritmo cardíaco mais frequente em todo o mundo, afectando cerca de 1% da população total, aumentando para 10% nos indivíduos com mais de 80 anos. Estima-se que em cada ano, até três milhões de pessoas em todo o mundo sofrem AVCs relacionados com a FA.

“Em muitos casos, a Fibrilhação Auricular pode ocorrer sem sintomas, sendo apenas detectada quando surgem complicações graves, nomeadamente AVC, tromboembolismo ou insuficiência cardíaca. Entre os sintomas sugestivos de Fibrilhação Auricular, os mais frequentes são: palpitações e fadiga. O diagnóstico é simples, bastando um simples electrocardiograma (ECG)” continua o especialista.
Sobre a Fibrilhação Auricular:
A Fibrilhação Auricular é uma forma de arritmia cardíaca em que as aurículas apresentam movimentos irregulares. Traduz-se em batimentos irregulares do coração que fazem com que o sangue não flua correctamente, provocando a formação de coágulos. Estes coágulos, quando passam para o cérebro, podem causar danos irreversíveis.

Sobre as doenças cardiovasculares:
  • A doença cardiovascular continua a ser a principal causa de mortalidade em Portugal, sendo responsável por cerca de 36 por cento de todos os óbitos e 400 AVC’s por dia.
  • Cerca de 20% dos AVC’s que ocorrem em Portugal são fatais e mais de metade deixam o doente com algum grau de incapacidade.
  • Em Portugal a taxa de mortalidade por Acidente Vascular Cerebral é de 200 por 100 mil habitantes, o que corresponde a dizer que, a cada hora, três portugueses morrem vítimas de AVC.
  • A fibrilhação auricular, uma forma de arritmia cardíaca, está na causa de 20% dos AVC’s em Portugal. Qualquer um de nós pode sofrer de arritmia a qualquer momento, sendo que basta apenas um episódio para aumentar a probabilidade de vir a sofrer um AVC.
  • Portugal apresenta dos mais elevados índices de AVC’s da Europa, sendo que os AVC’s têm um custo de 32 mil milhões de euros por ano nos sistemas de saúde da União Europeia, o que representa mais de 20% do total de despesas com doenças cardiovasculares.
  • Em Portugal, o AVC é responsável pelo internamento de mais de 25.000 doentes por ano e por um elevado grau de incapacidade -  50% dos doentes que sobrevivem a um AVC ficam com limitações nas actividades da vida diária.