Noções essenciais sobre o cancro do intestino



TOCA A PREVENIR




Intestino ou colo-rectal?

O cólon e o recto fazem parte do aparelho digestivo. Os dois formam um longo tubo muscular, chamado intestino grosso. O cólon é a primeira porção do intestino grosso (120 a 150 cm) e o recto a última parte (10 a 12 cm). A parte do cólon que se une ao recto é o cólon sigmóide. A parte que se une ao intestino delgado é o cego. O cancro que tem início no cólon chama-se cancro do cólon e o cancro que tem início no recto chama-se cancro rectal. O cancro que afecta qualquer um destes órgãos pode também ser chamado de cancro colo-rectal ou, tão simplesmente, cancro do intestino. 

O que é o cancro do intestino ou colo-rectal?

Um número significativo de cancros do intestino desenvolve-se a partir de lesões benignas do intestino grosso ou cólon, conhecidas como adenomas ou pólipos adenomatosos. Esta evolução demora vários anos e muitas vezes não apresenta sintomas. Nalguns casos, as lesões podem aumentar de tamanho e podem surgir transformações nas células dos pólipos que levam a alterações na forma, estrutura, e função das células.
Este será um dos processos que pode levar ao aparecimento do cancro.

Sintomas
  • Alteração persistente de hábitos intestinais, com o aparecimento de prisão de ventre ou diarreia (ou uma alternância das duas situações) sem razão aparente e/ou fezes muito escuras.
  • Perda de sangue pelo recto/ânus ou misturado nas fezes sem irritação, dor ou prurido.
  • Dor ou desconforto abdominal.
  • Sensação de que o intestino não esvazia completamente.
  • Perda de peso inexplicada.
  • Cansaço sem explicação aparente. 


Factores de risco

Idade: a probabilidade de ter cancro colo-rectal aumenta com a idade. Mais de 90% dos diagnósticos desta doença referem-se a pessoas com mais de 50 anos. A idade média do diagnóstico é 65 anos. Sendo o cancro uma doença dos tecidos e órgãos, à medida que estes vão envelhecendo, começa a “aparecer” o cancro, reforçando uma expressão cada vez mais ouvida, de que o cancro deverá ser considerado como uma doença crónica que acompanha o envelhecimento. No entanto, as doenças oncológicas podem surgir em pessoas de todas as idades, incluindo crianças.

Pólipos do cólon e recto: os pólipos são saliências do tecido da parede do cólon ou do recto. São comuns em pessoas com mais de 50 anos. A maioria dos pólipos é benigna (não cancerígena), embora alguns se possam tornar cancerígenos (adenomas). A detecção e remoção de pólipos reduz o risco de cancro colo-rectal.

História familiar de cancro do intestino: os familiares próximos (pais, irmãos ou filhos) de uma pessoa com história de cancro colo-rectal têm maior probabilidade de desenvolver a doença, especialmente se o familiar teve a doença ainda jovem. Se muitos familiares tiverem história de cancro colo-rectal, o risco ainda é maior.


História pessoal de cancro do intestino: quem já teve cancro colo-rectal, pode voltar a desenvolver o mesmo tipo de cancro. As mulheres com história de cancro do ovário, do útero (endométrio) ou da mama apresentam, de alguma forma, risco aumentado de desenvolver cancro colo-rectal.

Doença de Crohn ou colite ulcerosa: uma pessoa que teve, durante muitos anos, uma doença que causa inflamação do cólon, como a colite ulcerosa ou a doença de Crohn, apresenta risco acrescido de desenvolver cancro colo-rectal.

Prevenção
  • Dieta equilibrada: Tenha uma dieta equilibrada, rica em fibra e inclua fruta fresca e vegetais (5 doses diárias ± 400 gr/dia). Evite o consumo de calorias em excesso, em especial de gordura animal. A ingestão de líquidos – em especial água – também é muito importante.
  • Fitness/Peso: Faça exercício regularmente, de preferência diariamente, para evitar o excesso de peso.
  • Risco Familiar: Se algum dos seus familiares tem ou teve cancro do intestino, consulte o seu médico.



Rastreio
O rastreio do cancro do intestino pode ser eficaz. Este tumor pode ser curado na maioria dos casos se diagnosticado precocemente.
Colonoscopia ou sigmodoscopia: Observação do intestino utilizando um tubo fino e flexível com uma câmara na ponta (endoscópio). Deve ser repetido pelo menos de 5 em 5 anos.
Pesquisa de sangue oculto nas fezes: Um teste simples que visa determinar se há sangue nas fezes. Um resultado positivo, implica a realização de uma colonoscopia. Deve ser repetido de dois em dois anos.

Se tem algum destes sintomas e/ou se enquadra nos grupos de risco, consulte o seu médico, para diagnosticar e tratar o problema tão cedo quanto possível.