Dor crónica


 ...não tratada sai mais caro ao Estado


Impacto social e económico da dor crónica preocupa especialistas


Um quinto da população europeia, cerca de 80 milhões de europeus sofre de dor crónica, e em Portugal estima-se que afete 3 milhões de portugueses. Contudo, a maioria dos doentes não tem acesso ao tratamento da dor mais adequado e eficaz.
 “O não tratamento da dor implica custos muito mais elevados para o erário público, que o seu correto e atempado tratamento. Estes doentes recorrem com muito maior frequência a consultas médicas nos centros de saúde e hospitais, ao serviço de urgência, apresentam dificuldade ou impossibilidade para a execução das tarefas de vida diária com necessidade de múltiplos e indispensáveis apoios sociais, um maior absentismo ou presencismo laboral, inaptidão ou incapacidade para o trabalho, “baixas médicas” frequentes ou reformasantecipadas”, refere Duarte Correia, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor.
E acrescenta: “Há um longo caminho a percorrer para melhorar a qualidade de saúde em Portugal no domínio do tratamento da dor crónica. Isso significa apostar na formação e educação dos profissionais de saúde por forma a permitir um acessibilidade atempada, um diagnóstico correto, um acompanhamento e tratamento do doente, em estruturas de saúde providas dos recursos humanos e materiais adequados”.
Os custos da dor crónica não tratada continuam a aumentar em Portugal, atingindo o valor de 3 mil milhões de euros, sendo que cerca de metade destes gastos são resultantes de despesas com recursos de saúde e o restante provém de custos relacionados com o absentismo laboral, a perda de emprego e as reformas antecipadas, de acordo com um estudo da Faculdade de Medicina do Porto.
Os especialistas mostraram-se preocupados com o futuro do acesso dos doentes ao tratamento da dor crónica em Portugal, que consideram um grave problema de saúde pública, no simpósio “Impacto Social e Económico da Dor” que contou com o patrocínio científico de várias organizações médicas e com o apoio da Grünenthal.
A dor crónica é uma situação de dor persistente que, se não for adequadamente tratada, poderá afetar gravemente a qualidade de vida das pessoas e conduzir à incapacidade para o trabalho. Em Portugal, a dor crónica afeta mais de 30 por cento da população adulta.