Semana Europeia das Doenças da Próstata

A vigilância das doenças da próstata reduz para 20% a taxa de mortalidade por cancro
Apenas 40 a 50% dos homens realizam consultas de vigilância regulares


Por ocasião do assinalar da Semana Europeia das Doenças da Próstata, de 17 a 23 de setembro, a Associação Portuguesa de Urologia (APU) alerta a população masculina com mais de 45 anos para a necessidade de consultarem anualmente o seu médico de família.

A visita regular permite uma deteção precoce das doenças da próstata, que não apresentam quaisquer sintomas na sua fase inicial, prevenindo complicações futuras e reduzindo a 2.ª maior taxa de mortalidade por cancro, em Portugal, para 20%. Apesar desse facto, apenas 40 a 50% dos homens o faz.

De acordo com Tomé Lopes, presidente da APU, embora seja aos 50 que mais frequentemente as patologias da próstata se manifestam, "todos os homens a partir dos 45 anos deverão consultar o seu médico para saber se o PSA (antigénio específico da próstata) é suspeito, sobretudo se algum familiar próximo já tem um historial de cancro da próstata". Para o especialista, o diagnóstico é a melhor forma de prevenção, dado o caráter silencioso destas doenças, que são, no entanto, detetáveis através de um despiste regular: prostatites, hipertrofia da próstata e cancro, mas "que continuam a atingir 3 a 4 mil portugueses todos os anos, dos quais cerca de 1800 acabam por morrer".

Explicando os números anteriores, um estudo europeu, publicado no The New England Journal of Medicine, revelou que 50 a 60% dos homens chegam à consulta de urologia apresentando já a doença localmente avançada. A vergonha e constrangimento associados à partilha de sintomas do foro sexual, bem como o receio de ser submetido a exames constrangedores, acompanhados pela ideia de que é natural existirem problemas urológicos em fase de envelhecimento, continuam a ser os principais fatores apontados para a falta de sensibilização e preocupação com o tema.

Com o intuito de fazer chegar a cada vez mais pessoas, e com uma maior qualidade informativa, este alerta, a APU irá distribuir folhetos nas farmácias de todo o país ao longo dasemana de sensibilização para a Saúde do Homem.

Sobre as Doenças da Próstata
Prostatite, Hipertrofia Benigna da Próstata (HBP) e Cancro da Próstata são os tipos de patologia da próstata mais frequentes, sendo que a incidência destas duas últimas doenças tem sido maior nas últimas décadas, devido não só ao aumento da esperança média de vida, como pelos novos métodos de diagnóstico.
Embora o cancro da próstata seja usualmente a doença mais falada, a HBP é a patologia prostática mais frequente, dando origem a cerca de 10.000 cirurgias por ano e atingindo metade dos portugueses com 60 anos e 90% com 80 anos. Há homens que não dão muita importância aos sinais de HBP, embora eles estejam presentes. Até ao dia em que, subitamente, não conseguem urinar. Esta patologia pode causar problemas maiores com o decorrer do tempo: a retenção urinária parcial com resíduo miccional progressivamente crescente pode levar a infecções urinárias, incontinência, pedras na bexiga e lesões do rim.

Em Portugal, o cancro da próstata ocupa o terceiro lugar da incidência de doenças oncológicas e o segundo em taxa de mortalidade, sendo responsável por cerca de 1800 mortes, por ano. Na maioria dos homens, o cancro cresce de forma lenta e silenciosa, podendo mesmo muitos desconhecer que têm a doença.

Sobre a deteção do Cancro da Próstata
A suspeita de cancro é obtida através da subida do PSA, uma análise ao sangue que doseia uma substância libertada pela próstata para a corrente sanguínea, mas deve ser confirmada através do toque retal. A elevação do PSA não se verifica exclusivamente nas situações de cancro, mas constitui o principal indicador em que os urologistas se fundamentam para recorrer à biopsia prostática.




Nota: Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico