Mitos associados à pílula


A pílula é o método contracetivo mais utilizado pelas mulheres portuguesas, sendo que mais de 60% das consumidoras escolhe esta opção. A introdução da pilula revolucionou a vida das mulheres e contribuiu consideravelmente para a diminuição do número de gravidezes indesejadas.

Ainda hoje se associam a pílula alguns falsos conceitos, como o facto de estar relacionada com a infertilidade, o receio de aumento de peso e da incidência de cancro ou que pode proteger contra doenças sexualmente transmissíveis.

É importante alertar as mulheres para que a maioria destes conceitos são falsos:

1- Não há idade mínima para começar a tomar a pílula e pode ser aconselhada a qualquer mulher que tenha tido a sua primeira menstruação e que precise de contraceção.

2 - Não há necessidade de fazer pausas na toma da pílula. Estas interrupções não trazem qualquer tipo de benefício.

3- A pílula não causa infertilidade e é errado associar este problema a muitos anos seguidos a tomar a pílula.

4- Hoje em dia as pílulas à venda no mercado, são todas de baixa dosagem e são igualmente seguras.

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5- Não há vantagens em trocar de pílula desde que a mulher se sinta bem com a que está a tomar. O importante é garantir que não há esquecimento na toma ou que durante esse mês não está a tomar outros medicamentos, como antibióticos, que possam por em causa a sua eficácia.

6- A maioria das mulheres não tem aumento de peso com a toma da pílula.

7- A pílula não causa cancro, antes pelo contrário, diminui. Está comprovado que reduz em cerca de 40% o risco de cancro do ovário e no cancro do endométrio e coloretal, a redução do risco pode chegar aos 50%.

8- A pílula não protege a mulher das DST. O único método que o faz é o preservativo. Por isso as mulheres devem associar a uso da pílula o uso do preservativo

Na conjuntura atual há também fatores de ordem económica que podem levar as mulheres a deixar de tomar a pílula. É importante ter em conta que a pílula é um dos métodos anticoncecionais mais económicos.

No caso de não ter a possibilidade de adquirir a sua pílula habitual, saiba que pode recorrer a opções contracetivas orais de forma gratuita nas consultas de Planeamento Familiar e nas farmácias a preços acessíveis à maioria da população. Existem sempre opções seguras por isso fale com o seu médico na altura de escolher.


Texto: Dr.ª Teresa Bombas 
Médica especialista em ginecologia e obstetrícia 
Secretária Geral da Sociedade Portuguesa da Contraceção (SPDC).