Pesquisa estuda mecanismos de saciedade e fatores que influenciam a quantidade que comemos
Educar para comer nas "porções certas"
A saciedade é conhecida como a sensação de nos sentirmos satisfeitos após a ingestão de uma boa refeição. No entanto, não é clara a quantidade certa de alimentos que é necessária consumir para alcançar tal estado, já que muitas pessoas continuam a comer apesar de já se sentirem satisfeitas com o que ingeriram. Em colaboração com o Centro Hospitalar Universitário de Vaudois da Universidade de Lausagne (CHUV), na Suíça, o Nestlé Research Center (NRC) realizou uma investigação para perceber quais são exatamente os fatores que influenciam a quantidade do que comemos.
Liderada por Julie Hudry, a pesquisa demonstrou que a sobrealimentação se deve muitas vezes a problemas emocionais – ansiedade, tristeza, depressão, entre outros – mas que a educação alimentar pode ter um papel importante na correção deste comportamento.
Durante a investigação, mulheres com um peso normal foram confrontadas com fotografias de uma refeição em diferentes porções (de pequena a grande) e tinham que escolher o tamanho "ideal" para "satisfazerem a fome até à última refeição do dia".
Através de neuroimagens, os investigadores documentaram as diferenças das reações cerebrais perante as várias imagens, catalogando o comportamento cerebral perante porções considerada pequenas, adequadas e excessivas.
Julie Hudry realça que este é o primeiro
estudo a evidenciar que as atividades das diferentes partes do cérebro, no
âmbito da atenção e dos comportamentos, rapidamente se sobrepõem a reações
derivadas de recompensas. “Descobrimos que existem dois mecanismos a funcionar
em paralelo: o primeiro, dirigido à contagem – quantidade de comida presente, a
quantas calorias corresponde e a possibilidade de recompensa – e o segundo
relativo ao mecanismo regulatório – o julgamento das quantidades apropriadas
para que a pessoa se senta saciada até à próxima refeição”, refere a
coordenadora da pesquisa. “Aquilo que não sabemos é se para o segundo mecanismo
existe uma disrupção nas pessoas com tendência a comer demasiado.
A comunicação em volta deste mecanismo
regulatório é algo que pode ajudar as pessoas a controlar a sua fome.”
Para além dos registos técnicos, a
investigação concluiu ainda que grandes porções de alimentos incentivam um
maior, e desnecessário, consumo. Segundo o NRC, algumas pessoas parecem não ter
a consciência de que estão a servir-se de porções exageradamente elevadas. Um
exemplo de “alimentação inconsciente” e excessiva é quando se está a ver
televisão e a certa altura os amendoins que se estava a “petiscar”, acabam...
Novo
guia de porções Nestlé lançado até ao final do ano
Atualmente, a informação em matéria
alimentar é extensa e qualquer pessoa pode facilmente obter informações
bastante rigorosas sobre comportamentos alimentares saudáveis. No entanto, a
oferta de consumo é ainda maior, e a tentação parece estar sempre ao virar da
esquina… Por outro lado, a restrição radical deste tipo de alimentos nem sempre
funciona, já que por vezes desperta o mecanismo da gula. É pois neste contexto,
e como forma de apoiar um consumo alimentar adequado, com base nas porções
“certas”, que a Nestlé anunciou, para final de 2015, o lançamento de um guia de
porções para todos os seus produtos.
Outra das medidas em curso pela Nestlé é a
conceção das embalagens adaptadas às porções. Um exemplo, já implementado no
Canadá, foi a divisão em três partes de uma caixa de Smarties de 45 gramas, com
15 Smarties, contendo cada porção 70 calorias no total. O objetivo é causar uma
“disrupção física no padrão alimentar, fazendo a pessoa pensar duas vezes antes
de consumir” sem, no entanto, ser realizada uma restrição alimentar radical.
Este trabalho é desenvolvido em linha com os compromissos nutricionais da
Nestlé: fabricar produtos saborosos e nutricionalmente equilibrados, partilhar
conhecimento e educar para estilos de vida saudáveis e informar os seus consumidores
sobre as melhores formas de consumo dos seus produtos, área onde se insere esta
pesquisa.
Se a informação sobre o tamanho das
porções e o formato das embalagens é vital, diminuir o açúcar, as gorduras e os
níveis de sal em determinados alimentos – área na qual a Nestlé tem vindo a
trabalhar no âmbito dos seus compromissos nutricionais - pode fazer com que
porções mais pequenas satisfaçam da mesma forma.


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